Práticas e atitudes para uma vida longa e saudável

Práticas e atitudes para uma vida longa e saudável

13-08-2020 16:17 | Por Paola Duarte

Hoje, os brasileiros já somam 28 milhões de idosos e até 2031 a expectativa, segundo o Ministério da Saúde, é que o número chegue a 43 milhões. Sendo assim, hábitos saudáveis são essenciais. Manter alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos, cuidar da saúde mental, evitar o fumo e a ingestão de álcool são algumas atitudes necessárias para chegar à terceira idade com saúde e vitalidade.  Benjamin Franklin disse: “Uma gota de prevenção vale tanto quanto um litro de cura”. Pensando nisso, vemos a importância de ter uma abordagem competente e pró ativa com relação à saúde, durante todas as fases da vida, sendo necessária a  realização do checkup anual geral, incluindo também o exame auditivo nesse checkup. Seja diabetes, câncer, problemas cardíacos ou perda auditiva, nos tornamos cada vez mais focados em impedir as doenças com tratamentos preventivos. Essa é uma das razões do porque estamos vivendo mais, se o Sr. Franklin estivesse vivo hoje, ele concordaria que “60 é o novo 40”.

 

A audição, sendo um dos sentidos do corpo humano, se integra perfeitamente ao nosso cérebro para nos ajudar na conexão com o mundo ao nosso redor, porém é muito comum não prestarmos a devida atenção a ela.A Perda Auditiva Relacionada à idade é resultado do processo de envelhecimento ou exposição prolongada a fatores de ruído ambiental durante uma vida inteira, e é irreversível. No Brasil, é a sexta condição crônica mais prevalente em idosos, após infarto, AVC, diabetes, enfisema pulmonar e demências.

Existem alguns fatores que aumentam esse risco, como:


  • Fumar: As substâncias químicas do cigarro interferem na oxigenação do organismo, o que pode causar prejuízos irreversíveis para as células do ouvido. A diminuição do fluxo sanguíneo na cóclea (responsável por transmitir o som para o cérebro) causa a perda auditiva que pode ser agravada quando a pessoa fumou regularmente por um período superior a um ano.
O fumante passivo (pessoa que não fuma, mas está exposta à fumaça) também está sujeito a esses riscos. Ou seja, os fumantes têm risco 70% maior de ter perda auditiva do que os não fumantes

  • Diabetes: Isso se dá devido à falta de controle glicêmico que pode levar a alterações vasculares que comprometem o ouvido, afetando principalmente a percepção dos sons mais agudos, ou seja, a perda de audição é cerca de duas vezes mais comum em pessoas com diabetes, quando comparada com quem não tem a doença.

  • Saúde Cardíaca: O ouvido interno é extremamente sensível ao fluxo de sangue. Estudos têm demonstrado que um sistema vascular saudável – o coração, as artérias e veias – tem um efeito positivo sobre a audição. Por outro lado, o fluxo sanguíneo inadequado e trauma nos vasos sanguíneos do ouvido interno podem contribuir para a perda da audição.

  • Hipertensão: Há uma associação significativa entre a pressão arterial alta e a perda auditiva, uma vez que a hipertensão é um fator de aceleração da degeneração do aparelho auditivo.

  • Osteoporose: Existe uma relação entre a osteoporose e a perda auditiva, pois a desmineralização dos ossículos (três ossos do ouvido) pode contribuir ou causar uma deficiência auditiva.

  • Ototoxidade: é o dano causado ao sistema auditivo resultantes de exposição a substâncias químicas como por exemplo a aspirina, quinino, certos antibióticos, alguns medicamentos contra o câncer, alguns anestésicos, entre outros.

A perda auditiva é considerada uma condição invisível, que ocorre gradualmente ao longo do tempo e como a audição muda lentamente, dificulta sua percepção de que você está “perdendo” sua audição. A situação que cada pessoa experimenta como o primeiro sinal de perda auditiva varia muito, mas estes são alguns dos sintomas mais comuns que podem indicar uma perda auditiva:

  • Pedir que as pessoas repitam o que disseram;
  • Dificuldade em ouvir e entender a voz de crianças e mulheres;
  • As pessoas reclamam que você não as escuta bem;
  • Você acha, com frequência, que as pessoas estão falando baixo, ou falando enrolado, ou falando “pra dentro”;
  • Você escuta um zumbido ou chiado;
  • Você tem problemas para ouvir em ambientes ruidosos;
  • Você tem dificuldades para ouvir suas conversas ao telefone, então prefere ligações no viva voz ou por vídeo;
  • Você deixa o volume da televisão no alto;
  • Você acha muito difícil entender as pessoas quando elas não estão olhando para você. 

Ignorar os sintomas da perda auditiva e não procurar ajuda médica pode trazer diversas complicações à saúde e podem contribuir para:


  • Isolamento social – o fato de você não entender corretamente o que as pessoas falam, seja em casa, no trabalho, nos momentos de lazer - como restaurantes, festas, reuniões, etc, - pode gerar constrangimento quando ocorre de maneira constante. Além da vergonha pessoal, há o medo de ser motivo de comentários. Sendo assim, você simplesmente finge que entendeu o que foi dito ou passa a evitar as conversas. Com o tempo, decide que essas situações são muito desconfortáveis e acaba optando por evitar o desgaste, se isolando.

  • Ansiedade – além das dificuldades auditivas como a dificuldade de entendimento, a perda auditiva pode vir acompanhada de outros sintomas físicos como tontura, náusea, zumbido, intolerância ao som alto. Isso pode afetar o estado emocional e a autoestima da pessoa, aumentando sua ansiedade e atrapalhando o relacionamento familiar, com os amigos e nos afazeres de costume como ir ao supermercado, à igreja, à farmácia, aos bailes, bingos, shoppings, etc.

  • Depressão – é um distúrbio que leva o indivíduo a sentir uma tristeza profunda, perder o interesse por realizar suas tarefas diárias, não se alimentar corretamente, não sentir prazer ao fazer o que mais gosta, entre outras e, quando não tratada, pode até desenvolver pensamentos suicidas. Tudo isso pode ser desencadeado pelos fatores citados acima como o isolamento social e ansiedade.

  • Maior Possibilidade de Queda – de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Medicina Johns Hopkins, pessoas com deficiência auditiva passam a ter uma menor noção do ambiente ao seu redor, o que os torna mais propensos a tropeçar e cair. O estudo também revela que, com a perda de audição, o cérebro fica sobrecarregado para compensar essa deficiência, prejudicando áreas cognitivas, refletindo na manutenção do passo e do equilíbrio, uma vez que essas são atividades muito exigentes cognitivamente.

  • Declínio Cognitivo – a perda auditiva a longo prazo impede que o cérebro receba informações neurais. Essa é a teoria de uso ou perda, que indica que é importante estimular o cérebro com informações auditivas, pois tentar ouvir e entender a fala pode usar muitos recursos cognitivos do cérebro, como a memória, por exemplo.

  • Demência – o cérebro de quem tem perda auditiva fica mais vulnerável a manifestar precocemente os sintomas da doença, isso porque o cérebro deixa de receber as informações do dia a dia de forma adequada, então, acaba sendo privado dessa estimulação. É como se, ao diminuir a audição da pessoa, diminuísse também a estimulação cognitiva. Se isso acontece por décadas, diminui-se a reserva cerebral capaz de enfrentar os efeitos de doenças que causam demências, como Alzheimer, por exemplo.



Nos últimos anos, pesquisas indicaram que a audição não implica apenas nossos ouvidos, a audição impacta muitos aspectos da nossa saúde e vida! Infelizmente, a resistência em aceitar a perda auditiva atrasa a busca por soluções, em média de 7 anos, dificultando assim o prognóstico. Você consegue imaginar viver com diabetes ou hipertensão por vários anos antes de tomar uma atitude? Pense nisso! Não é difícil escutarmos por aí algumas frases a respeito da perda auditiva e tenho certeza de que muitos de vocês já falaram ou também as escutaram. Vejam:


“Perda auditiva é normal na minha idade”: Sim, a idade é um fator que influencia a perda auditiva, porém não significa que a pessoa não deva procurar um tratamento para o problema.

“Aparelhos auditivos me farão parecer mais velho”: Infelizmente ainda há essa crença, mas hoje em dia, há soluções discretas e até invisíveis que oferecem uma sensação sonora mais natural.

“Perda auditiva é coisa de gente mais velha”: Muitos estudos já comprovam que, cada vez mais, os jovens estão perdendo a audição e enfrentando problemas auditivos bem antes do esperado, devido à falta de prevenção e ao estilo de vida.

“Minha perda auditiva não pode ser ajudada”: Com os avanços tecnológicos, quase 95% das pessoas com perda auditiva podem ser tratadas com aparelhos auditivos. O diagnóstico precoce é essencial para evitar problemas maiores, mas você pode se perguntar, será que já não é tarde demais? Será que tem solução? Então, não é possível restaurar a perda de audição, mas, na maioria das vezes, conseguimos estabilizá-la e é aí que entra o papel dos aparelhos auditivos, que têm a função de estimular a via auditiva e ampliar a percepção sonora, o que é essencial para redescobrir a alegria e os prazeres da vida, sabe como?

Curtindo a vida: usuários de aparelhos auditivos sentem mais prazer em fazer as coisas e têm maior probabilidade de se exercitar e encontrar amigos para socializar

Nutrindo relacionamentos: pessoas que atualmente usam aparelhos auditivos dizem que isso não só ajuda sua capacidade geral de comunicação na maioria das situações, como também tem efeito positivo na capacidade de participar de atividades em grupo e em seus relacionamentos

Mantendo uma perspectiva positiva: pesquisas mostram que os usuários de aparelhos são mais propensos a serem otimistas e se sentirem engajados na vida. Muitos até dizem que se sentem melhores e mais confiantes


Espero que este artigo tenha ajudado você e que, com essas informações você possa repensar suas crenças limitantes, ou até mesmo pensar no seu familiar tão querido que, especialmente neste momento de isolamento social que estamos vivendo, em que o convívio familiar está mais restrito e estreito, essas dificuldades possam estar mais evidentes.

Caso isso esteja acontecendo, é importante consultar um profissional da audição de sua confiança, para realizar os exames apropriados, esclarecer suas dúvidas e encontrar a melhor solução para você. Ok?

Qualquer dúvida estou à disposição para ajudar você a cuidar bem da sua audição e de toda a sua família.

Um abraço, 

Paola Duarte

Fonoaudióloga Audiologista do Centro Auditivo Ouvir Mais SJC

Especialista em Cuidar da Audição de Toda a Família